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text 2015-08-23 19:07
Uma excelente obra sobre um tema difícil
O Meu Irmão - Afonso Reis Cabral

A primeira ideia que tive assim que terminei este livro foi “deveria haver uma lei qualquer que proibisse alguém tão novo escrever com tanto talento”. Ponto.


Não li todas as obras galardoada com o prémio Leya (que são, se não me engano, seis, já contando com “O Meu Irmão”), mas esta é sem dúvida uma das melhores obras que já li. Aliás, é um dos melhores livros que já li nestes últimos tempos (e sim, eu sei, não tenho lido tanto quanto gostaria…).


Afonso Reis Cabral apresenta-nos uma escrita extremamente sóbria, madura e majestosa para contar a história de um professor universitário, divorciado, desencontrado com a vida, e quem procura a derradeira aproximação com o seu irmão Miguel que nasceu com síndrome de Down. Trata-se de uma aproximação não apenas dificultada pela deficiência genética, mas a qual também se associa uma ausência de 20 anos e uma fixação forte do Miguel pela Luciana, uma deficiente mental fruto de uma violação. Tojal, uma pequena aldeia perto de Arouca, é o sítio onde o irmão de Miguel procura então reconquistar o seu amor fraterno. É durante a estadia de ambos que conhecemos toda a história destes irmãos desencontrados, e como o destino, de uma forma algo inesperada, os levou a procura de uma catarse numa localidade recôndita do interior.


A cada capítulo, Afonso Cabral desvenda de uma forma soberba toda a história destes irmãos, os sonhos, as conquistas, os desaires que os acabariam por os conduzir até Tojal. Ao mesmo tempo, o tema da deficiência de Miguel é tratado com seriedade, confrontando o leitor com uma realidade com implicações profundas naqueles que têm que conviver diariamente com a síndrome de Down.


Sem qualquer dúvida, um autor a seguir seriamente.

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review 2015-07-20 13:04
Um bom manual sobre a crise do Euro mas um mau romance
A Mão do Diabo - José Rodrigues dos Santos

De entre todos os livros que já li do José Rodrigues dos Santos, e em particular os que dizem respeito à "série" Tomás Noronha, este é, sem dúvida, um dos piores que já me passaram pelas mãos.

 

Tal como nos livros anteriores, "A Mão do Diabo" é construído sobre um extenso trabalho de pesquisa, desta vez relacionado com a moeda transeuropea e com a crise que a tem abalado desde 2008 após o rebentamento da bolha especulativa nos EUA, e que viria pôr a nu as fragilidades do Euro. É aqui que o livro se torna de facto interessante: quem quiser ter uma ideia mais clara sobre qual o caminho que nos trouxe até aqui, ao ponto de Portugal ter que solicitar ajuda à Comissão Europeia, ao Banco Central Europeu e ao Fundo Monetário Internacional - conjunto a que se convencionou chamar de "troika" - tem neste livro um bom resumo. Está lá tudo: os pressupostos políticos que nos conduziram à criação do Euro, a liberalização dos mercados, o que é o subprime, o porquê deste produto financeiro ter abalado a economia europeia, as crises da Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda (não Itália não foi contemplada neste romance), a relutância alemã,... enfim, tudo. Quase que este livro se poderia ter chamado "Tudo o que queira saber sobre a crise do Euro e ainda ninguém lhe contou." Obviamente que podemos questionar a objectividade e imparcialidade do que aqui é explicado, mas penso que, em momento algum, este assunto poderá ser analisado sem que este tipo de pensamentos ocorra. Em todo o caso, este livro é uma espécie de "Seleções do Reader's Digest" sobre a crise da moeda única que acaba por ter algum interesse objectivo.

 

"Espera aí! Mas isto é um romance ou um livro de economia?!" Já lá vamos... É de facto um romance que decorre de forma muuuuuuuuito lenta: são necessárias quase 200-duzentas-200 páginas para que o enredo comece a ganhar velocidade. Bem, a palavra velocidade é talvez um pouco excessiva. Andamento, vá.

 

Até aqui, o primeiro terço do livro não passa de um extenso prólogo. Olhando para o livro no todo, este não passa de uma daquelas laranjas de final de estação: secas, sem quase nenhum sumo. Junte-se a isto toda uma panóplia de diálogos tão forçados que chega a irritar, e só não larguei o livro porque o conteúdo informativo acabou por prender-me, porque se fosse pela história...

 

O final do livro é igualmente sofrível. Vemos toda uma série de conjecturas do autor, e que de certa forma também temos formadas, a serem desfiadas no meio de mais diálogos ocos e demasiado artificiais. Vemos personagens que alegadamente ocupam lugares importantes ou que julgamos detentoras de formação extremamente rica a serem ultrapassados por um professor de História especialista em Línguas Antigas. Nada contra os professores de História, mas a forma como todo ocorre é demasiado irreal e factícia que se torna quase incómodo de ler. Já li ficção científica mas credível do que esta última história do Tomás Noronha.

 

Em resumo, encontramos o costume: um crime, a personagem a ser chamada para o centro da história, uma "bond girl" e um final (quase) feliz, tudo embrulhado com informações q.b.

 

Literatura para as tardes de praia em jeito de pastilha elástica.

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